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O Páramo | Crítica do Filme | CinemAqui

O Páramo | Faz de tudo para aproveitar a onda do gênero

Páramo: planície solitária; deserto. (Figurado) O firmamento, a abóbada celeste. O cume, o ponto culminante. (Cinefilia, por mim) Termo erudito usado por aqueles que querem seguir a onda do terror para cultos, o terror psicológico debatido tomando uísque.

O filme de estreia do diretor espanhol David Casademunt pode usufruir de uma fotografia de cores sufocantes, uma direção de arte que evoca os pesadelos mais inconscientes, uma trilha sonora que mantém nossos corações em suspense. Os efeitos visuais, apesar de batidos, também usufruem dessas mesmas virtudes de uma produção que soa desperdiçada pela óbvia, triste direção, e o roteiro escrito a seis mãos que seguramente estaria melhor nas mãos de apenas uma: o seu diretor.

O terror em camadas é de praxe hoje. Inúmeros trabalhos recentes do gênero, como Hereditário, A Bruxa, ou o mais antigo Babadook, fornecem pistas durante o entretenimento que há algo mais a se olhar do que os sustos fáceis e as sombras retocadas da equipe de produção. Há uma história. E um sub-texto. O Páramo nesse contexto é um excelente entretenimento sem uma história que a conduza. Nesse sentido ele se afasta dos trabalhos citados neste parágrafo e tristemente se aproxima de um parque de diversões muito bem elaborado.

O Páramo | Faz de tudo para aproveitar a onda do gênero

Se você, cinéfilo treinado, que assiste pelo menos três filmes toda semana, em algum momento começou a assistir um filme e em cinco minutos ainda não sabe sobre o que se trata, saiba que o problema não está em você, mas no que aparece na tela. A história de O Páramo mistura pano de fundo histórico com folclore local e metáforas que tentam encaixar conceitos quadrados em formas redondas. Nunca consegue. No máximo sugere alguma conexão com um mundo tão terrível que as pessoas estão dispostas a tirar a própria vida do que permanecer definhando em um inferno não anunciado.

Não me leve a mal. Este é um excelente entretenimento. A produção, como comentei, é das melhores. Eu adoraria assistir mais trabalhos de Casademunt. Assim que os produtores se cansarem dele e o diretor partir para trabalhos mais intimistas. Não é na fórmula do “neo-terror” que encontraremos a obra de arte definitiva, vendável e eterna. É na liberdade das mentes dos cineastas que reside o terror mais pulsante, mais genuíno, que nosso subconsciente jamais pensou em revelar a nós mesmos.


“El Páramo” (Esp, 2021), escrito por David Casademunt, Martí Lucas e Fran Menchón, dirigido por David Casademunt, com Inma Cuesta, Roberto Álamo e Asier Flores.


Trailer do Filme – O Páramo

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