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A Pior Pessoa do Mundo | Crítica do Filme | CinemAqui

A Pior Pessoa do Mundo | A Melhor Pessoa do Mundo

Talvez o melhor jeito de explicar A Pior Pessoa do Mundo seja com as palavras do próprio diretor. De acordo com o cineasta Joachin Trier, seu filme é “uma comédia romântica para o pessoal que odeia comédias românticas”.

Isso não quer dizer que o filme não seja romântico, muito menos seja um passatempo leve e bobinho, também não é uma comédia, ou é, mas só quando o espectador percebe tarde demais isso para realmente aproveitar. É um pouco de tudo, é complexo, humano, delicado e vivo.

A vivacidade vem de acompanhar Julie (Renate Reinsve) nesses 12 momentos mais um prólogo e um epílogo. O prólogo corre para mostrar ao espectador o quanto ela está diante de um momento em busca dela mesma. Da mudança de curso na faculdade e profissão, até de namorado. Um retrato instantâneo de como ela chegou nesse momento.

O roteiro do próprio diretor Joachim Trier em parceria com Eskil Vogt dá um show de ritmo nesse primeiro momento, tanto pela narração que parece se contrapor com a protagonista, como com a impressão de que as mudanças são tão rápidas que não esperam a narrador chegar perto. De um jeito sutil o prólogo é quase uma preparação para o espectador se acostumar com o que vai acontecer no resto do filme.

A Pior Pessoa do Mundo é então sobre esse momento específico da vida de Julie onde ela passa por um arco que a coloca em um outro rumo. Talvez todo tempo de filme seja apenas mais um segundo do prólogo de outros momentos diferentes, mas talvez esses acontecimentos sejam o provocador de mudanças na protagonista. Isso fica claro no epílogo de cortes mais lentos e onde ela consegue viver cada segundo sem a necessidade de correr entre as mudanças.

Um filme sobre a personagem descobrir como ser ela mesma. Talvez isso possa esbarrar na ideia de crescer e amadurecer, mas o ponto principal é o dela se descobrir, mesmo que ainda seja alguém que precisa da mudança para se reencontrar. Mais ainda, aquela velha lição sobre o quanto cada momento não deixa nunca de ser algo que irá se transformar em bagagem. A nova Julie não é uma pessoa diferente, mas sim alguém que agora tem tudo aquilo para trás atrelada a sua personalidade que seguirá em frente.

Talvez o melhor jeito de explicar A Pior Pessoa do Mundo seja com as palavras do próprio diretor. De acordo com o cineasta Joachin Trier, seu filme é “uma comédia romântica para o pessoal que odeia comédias românticas”.

A separação por capítulos não vem com a ideia de ritmo ou construção da história, mas sim um jeito de organizar aqueles pequenos momentos que vão formando um novo momento. As experiências, sejam pequenas e instantâneas, sejam pesadas e doloridas ou até alucinantes, que empurram a personagem para os próximos passos.

Mais ainda, Julie está sempre dentro de uma briga para não permitir que qualquer um seja protagonista de sua história. Ela precisa entender que está no centro de sua trama, o que a faz repensar sua vida cada vez que se vê presa a esse estereótipo. A narração por sua vez, vem como se estivesse escrevendo essa biografia onde não consegue controlar a protagonista e está apenas fortalecendo aquilo que ela quer que aconteça.

Do lado de fora, a direção de Trier é um esforço continuo para tentar acompanhar a protagonista. Consegue, mas sempre com a impressão de estar refém disso, como a narradora. A câmera fica por ali admirando e tentando desvendar essa mulher. O resultado é filme com um ritmo alucinante, mas nunca alucinado. São muitas coisas acontecendo, muitas emoções brotando, mas tudo com um mesmo objetivo: Julie.

O esforço todo de A Pior Pessoa do Mundo é tentar descobrir e convencer Julie de que ela pode ser a melhor versão delas mesmo, basta apenas ela ser ela. De que não existe final, mas sim novas oportunidades de aprender e melhorar. O final, no prólogo, é só o começo do que poderia ser um outro filme com mais quantos episódios fossem necessários para, ao final, a própria Julie descobrir que poderá ser ela a partir daquele momento.

Passar por tudo é apenas continuar, ela não é a pior pessoa do mundo, mesmo que as vezes ela ache isso. Pelo contrário, ela é apenas a pessoa que é.

Diante disso, realmente A Pior Pessoa do Mundo não deixa de ser uma comédia romântica, mas uma que aceita ser ela mesma e não aquilo que o espectador quer. Não um filme sobre um “eu te amo” no aeroporto, mas sim sobre o quanto essa declaração pode ser apenas um detalhe de uma vida muito maior. Parece simples, mas é complexo, como a vida mesmo.


“Vardens Verst Menneske” (Nor/Fra/Sue/Dina, 2022). escrito por Jachim Trier e Eskill Vogt; dirigido por Joachim Trier; com Renata Reinsve, Anders Danielsen Lie, Herbert Nordum e Hans Olav Brenner.


Trailer do Filme – A Pior Pessoa do Mundo

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