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Amor, Sublime Amor | Se torna clássico mais uma vez


Se para muita gente refilmar um clássico é algo complicado, em 1961, Amor, Sublime Amor já o fazia, já que a peça da Broadway, por si só, já era cultuada. Trazer a intenção dos palcos para o dinamismo do cinema não se mostrou um problema e o filme, não só virou uma mania, como ele próprio se transformo em um clássico e foi embora da Premiação do Oscar com 11 estatuetas embaixo do braço.

Exatamente seis décadas depois, a mesma história ganha mais uma versão e mostra o quanto, para alguns cineastas, refilmar um clássico pode não ser tão complicado assim. Na verdade, nada na mão de Steven Spielberg parece ser complicado de fazer e seu Amor, Sublime Amor não é só uma homenagem aos “materiais originais”, mas sim a possibilidade de trazer para o século 21 essa história.

É lógico que, antes de qualquer coisa, Amor, Sublime Amor ainda é Romeu e Julieta no Upper West Side de Manhattan, com duas gangues brigando pelo território enquanto dois personagens ligados a elas se apaixonam e têm seu amor impedido pela rixa entre os grupos. Portanto, o primeiro acerto de Spielberg é o respeito a obra, nem por um momento ele parece estar trazendo para a tela algo que não seja o musical criado por Jerome Robbins e Leonard Bernstein. Nada de mudança de época, nem atualização das canções. O Amor, Sublime Amor de Spielberg é uma obra pura em suas referências.

Ao mesmo tempo é grandioso como nem o filme de 1961 consegui ser. É lógico 60 anos atrás Robert Wise (igualmente gênio) e o próprio Jerome Robbins não tinham em mãos as possibilidades que Spielberg tem hoje, e o que o diretor de Tubarão faz com isso é impressionante. Amor, Sublime Amor agora se transforma em um musical que extrapola os limites físicos de qualquer estúdio. Seus números musicais são maiores do que qualquer parede, com a câmera de Spielberg viajando e passeando pelos cenários com uma precisão que só o cineasta tem.

Seu parceiro de longa data na direção de fotografia, Janusz Kaminski, voa com a câmera de Spielberg e dá um dinamismo ainda maior para uma obra já dinâmica. O que poderia ser uma cena entre Tony (Ansel Elgort) e Maria (Rachel Zegler) estática em uma daquelas saídas de incêndio no segundo andar de um prédio, se torna um balé de ângulos e movimentos que, mantém a ideia da câmera estar voando, mas ao mesmo tempo, não perde o foco nos personagens. A câmera de Spielberg parece sempre estar no lugar certo e o trabalho de Kaminski faz essas escolhas serem ainda mais poderosas.

As coreografias de Justin Peck entendem perfeitamente bem a possibilidade descomunal que têm em mãos e aproveita cada centímetro disso. Tudo é novo, fresco e moderno, aos mesmo tempo, sem nunca perder o tom clássico. Spielberg cria um filme que parece ter sido feito nos anos 60, Peck faz um trabalho que não se agarra na possibilidade de ser datado e Kaminski fecha esse espetáculo de cores, sons e ritmo.

As canções continuam as mesmas da peça na Broadway, mas a trilha de Leonard Bernstein adaptada por David Newman chega ainda mais longe. Os carros freando podem fazer parte de sua música, assim como o passar de um pano em um espelho, mas isso não é uma regra como em Baby Driver, mas sim um detalhe para engrandecer ainda mais a experiência do espectador. Isso, porque no resto do tempo, sua trilha é delicada e, ao mesmo tempo, emocionante. Está ali não para ditar um sentimento, mas sim acompanhar essa história que é épica por si só.

E talvez esse seja o maior acerto do novo Amor, Sublime Amor: o respeito. Não existe em nenhum momento a ideia de fazer algo que quer ser maior do que os originais, mas sim um esforço para elevar a obra ainda mais para o alto. E conseguem.

O filme ainda é “Romeu e Julieta com gangues” e Spielberg parece fazer questão de não “limpar a barra” dos Jets, que se mantém firmes em sua xenofobia enquanto cantam suas vidas tristes e incompreendidas, mas isso ganha um tom de profundidade e torna a história ainda mais complexa. Principalmente enquanto todos cantam e dançam, se apaixonam, morrem e matam, emocionam e permitem que o espectador saia do cinema sentindo que acabou de assistir um dos maiores clássicos do cinema assinado agora por um dos maiores diretores do cinema. Uma combinação que não tinha como dar errado. E não dá.


“West Side Story” (EUA, 2021); escrito por Tony Kushner e Arthur Laurents; dirigido por Steven Spielberg; com Alsen Elgort, Rachesl Zegler, Ariana DeBose, David Alvarez, Rita Moreno, Brian d´Arcy James, Corey Stoll, Mike Faist, Josh Andrés Rivera, Iris Menos, David Aviles Morales e Sebastian Serra.


Trailer do Filme – Amor, Sublime Amor

https://www.youtube.com/watch?v=2Run-Vk3geE
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