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Caça Invisível | Crítica do Filme | CinemAqui

Caça Invisível | Desastre esquecível

Não existe nada em Caça Invisível que pareça fazer jus a produção desse desastre. Não existe razão para essa história ser contada, nem nenhuma mensagem que possa ser deixada, lição de vida ou interesse. Somente uma trama carcomida pela idade e que não faz a mínima ideia de onde e porque quer chegar nesse lugar.

No título original, “Prey”, a ideia fica ainda mais idiota. Esse grupo de homens idiotas não mereciam ser tratados como simples presas ou vítimas, colocá-los nesse lugar é um desperdício intelectual enorme. E um desperdício do tempo do espectador.

Em um daquele momento à la Amargo Pesadelo, cinco amigos seguem em um riacho no meio de lugar nenhum da Alemanha com seus caiaques infláveis, suas roupas suburbanas e uma vontade enorme de serem os tipos “machos tóxicos” ou clichês mal feitos de filmes de terror. Em poucos segundos de filme é fácil se irritar com todos eles, cada um carregando uma imbecilidade diferente. Mas eis que um tiro corta o silêncio e atinge um deles.

Tudo bem, existe nesse momento até uma certa tensão, já que o desconhecimento do perigo é sempre eficiente. Os cinco fogem pelo meio da floresta tentando despistar o possível assassino de slasher, mas o que vem em seguida é frustrante, burro e misógino.

A frustração vem de uma completa falta de criatividade das mortes e de uma tensão artificial. Tudo é repetitivo e após a surpresa inicial, nada mais irá se esforçar para manter o espectador interessado. O fracasso ainda vai mais longe, com efeitos especiais com jeitão de baratos e uma direção sem absolutamente nenhum ritmo.

O filme é escrito e dirigido por Thomas Sieben e o resultado é uma nota só. As vítimas correndo através da floresta, o assassino atrás deles e uma motivação completamente covarde, tanto para o matador, quanto para uma reviravolta sem o menor sentido do protagonista, vivido por David Kross, que ano passado deu as caras também no lançamento da Netflix, Altos Negócios.

Caça Invisível | Desastre esquecível

A burrice vem da falta de entendimento de o que seria necessário para fazer um filme do tipo funcionar. Com muito menos detalhes e histórias pregressas o filme ganharia em suspense e tensão, mas a vontade de contar uma história além da ação só faz o filme errar em cada passo que dá longe da ação.

Não importa em nada para a trama a relação do protagonista com a noiva, muito menos interessa para alguém os flashbacks interrompendo os acontecimentos no presente. Do mesmo jeito que a dinâmica entre ele e o irmão cair em um clichê tão bobinho só enfraquece ainda mais o fio de roteiro que tem. O que leva o filme à misoginia (e um spoiler).

É impossível enxergar alguma razão minimamente inteligente para Caça Invisível colocar uma mulher para matar os homens. Pior ainda, vilanizar a personagem fica ainda mais complicado ao mostrar que ela é apenas o resultado de uma violência maior, mas que surtou, completou sua vingança e simplesmente continuou por aí matando homens de modo completamente sádico e sem a menor razão aparente.

Coitados dos homens, em seus caiaques infláveis e casacos caros, foram parar bem no meio de um surto de uma doida qualquer com uma espingarda e uma motivação vergonhosa. Ainda mais esse grupo, onde nenhum faz o papel do macho babaca que, diante do perigo, decide pelo caminho da covardia sem sentido ou da coragem idiota.

Não existe qualquer tipo de profundidade em absolutamente nenhum personagem do filme. E em um mundo onde as mulheres já sofrem todos preconceitos de séculos e séculos de violência, escolher uma mãe ferida para se tornar uma assassina maluca é uma escolha que beira a inconsequência.

Sem lição, sem discussão, sem diversão, sem novidade e sem interesse, Caça Invisível é desprezível e, se tudo der certo, em pouco tempo deverá ser esquecido (já foi!).


“Prey” (Ale, 2021); escrito e dirigido por Thomas Sieben; com David Kross, Hanno Koffler, Maria Ehrich, Roberto FInster, Yung Ngo e Klaus Steinbacher


Trailer do Filme – Caça Invisível

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