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Lola e o Mar | Crítica do Filme | CinemAqui

Lola e o Mar | Uma jornada de compreensão

Este Lola e o Mar é um road movie simpático. Você se envolve com os dois atores principais de tal forma que na metade da história enxerga-os como dois amigos, apesar de um não compreender o outro (e vice-versa) a respeito de seus sentimentos.

Mas um deles é uma criança de 18 anos. Ainda jovem expulso de casa pelo pai por começar a se vestir de mulher, tempos depois, agora Lola, vivendo em um abrigo que surgiu de uma novela pop e seu melhor amigo é gay. Prestes a fazer uma cirurgia de readequação sexual, ela precisa reviver seu passado ao voltar para a casa após o falecimento de sua mãe.

Lola e o Mar é feito para um público mais amplo. Ele não é feito com a sexualidade na superfície como muitos trabalhos de mesmo tema. Ele aborda a questão de aceitar as diferenças quaisquer que sejam, e com isso acaba perdendo bastante do seu potencial dramático. Torna a jornada de auto-descoberta algo tranquilo, muito embora muitos irão sentir o ar ingênuo na atmosfera do filme.

Essa ingenuidade pode ser notada nas cores que evocam tanto a juventude quanto a dualidade. E pode ser constatada na criação da própria Lola, da atriz Mya Bollaers, quando os pais a ensinavam que o que importa é o que ela acredita e o que os outros dizem não importa.

Mas voltando, eu disse que você se sente confortável com a dupla pai e filha até a metade do filme. Isso acontece porque a atuação de ambos os atores é tão natural que eles vivem seus personagens nesse momento delicado com toda a dedicação que eles merecem. Benoît Magimel cria um pai ressentido pelo passado que foi incapaz de compreender a própria filha e que sentiu sua ausência durante a doença terminal da mãe como uma traição. Mya Bollaers cria uma jovem que passou por traumas na infância, e isso se reflete na complexidade da personagem. Nós acreditamos nesses dois porque é possível que todos nós conheçamos uma Lola ou alguém semelhante ao seu pai e esse seja um retrato comparável à vida real, ainda que com menos violência e com mais diálogos.

No entanto, da metade para o final o roteiro formulaico toma conta do que foi cultivado com tanto cuidado e dá lugar a eventos jogados que, por serem incríveis (como um carro pegando fogo), se tornam tão ingênuos quanto a mente fantasiosa de Lola.

Fantasias à parte, há bons momentos nesta minijornada frustrada em busca de redenção. Os frutos do road movie estão bem escondidos em detalhes da história, mas mais dos seus personagens. Infelizmente essa sensação se perde no caminho e termina em cacarecos próximo do final. Fica apenas a impressão de que se este fosse um filme mais maduro veríamos uma história com mais profundidade quando se fala em sentimentos e menos apelo comercial. E sendo mais real acreditaríamos mais no potencial desses fictícios, mas compreensíveis, seres humanos.


“Lola” (Bel/Fra, 2019), escrito e dirigido por Laurent Micheli; com Mya Bollaers, Benoît Magimel e Els Deceukelier.


 

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