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Morte no Nilo | Crítica do Filme | CinemAqui

Morte no Nilo | Esquecível

Não gosto da primeira pessoa, mas dessa vez preciso dela para falar do quanto foi importante ter feito anotações durante a sessão de Morte no Nilo, sem elas, eu não lembraria mais nada do filme. Portanto, se você não se recorda mais do filme, tudo bem, não é só você.

E não coloquem a culpa na Agatha Christie, mãe de Poirot e todas suas aventuras. Mesmo repetitiva, é difícil encontrar um fã que não saiba exatamente o que aconteceu em cada livro, quem matou quem, e algum detalhe excêntrico do Poirot, que sempre estava no lugar errado e na hora errada. Suas histórias tinham um jeitão de descartáveis, mas criaram uma legião de fãs todas elas. Mesmo com estruturas semelhantes, nunca eram esquecidas. Já o filme sim.

Assassinato no Expresso Oriente talvez tenha sobrevivido nas telas por um tempinho um pouco maior, tanto por já ter tido uma adaptação incrível em 1974 dirigida por Sidney Lumet, quanto por a mais recente ter um elenco gigantescamente estrelado. Já Morte no Nilo é só uma continuação cansada de um filme que fez mais sucesso do que esperavam.

O filme é mais uma vez dirigido pelo próprio Kenneth Branagh, que volta a viver o detetive Hercule Poirot. O filme até tenta criar uma profundidade no personagem mostrando parte de sua atuação na Primeira Guerra Mundial, mas, mesmo visualmente bonito, a sequência de abertura é um enorme gasto de dinheiro que está lá só para explicar porque o personagem usa aquele bigode extravagante.

Um excesso de zelo com os personagens ainda não coloca Poirot diretamente no Egito, gasta ainda mais dinheiro com ele em Londres, convenientemente, já vendo toda trama começar enquanto come uns docinhos em um restaurante caro. Ninguém quer saber de nada disso e nem presta para nada na história, só para deixar o filme meia hora maior do que ele deveria ser.

Morte no Nilo | Esquecível

Talvez o texto de Michael Green (mesmo do filme anterior) saiba do quanto o resto de sua história vai ser apenas uma repetição das intenções do Expresso Oriente e queira desviar a atenção, mas provavelmente é só falta de criatividade na hora de tentar criar algo que saia do óbvio.

Poirot é pego no meio de um meio noivado, meio Lua de Mel, de um casal formado por uma multimilionária (Gal Gadot) e um zé ninguém (Armie Hammer). Até aí, tudo bem, todo mundo parece feliz menos a ex-noiva dele (Emma Mackey), que está perseguindo os dois onde quer que eles estejam de modo passivo agressivo e irritante. Entre o “triangulo amoroso” e mais um monte de convidados burgueses genéricos, todos presos em um “navio hotel”, ocorre um assassinato e Poirot irá solucionar o caso.

Em meio a ofensas chiques e personagens sem muita personalidade, o espectador vai descobrir que, absolutamente todo mundo dentro no navio tinha razões para matar a vítima, o que demonstra uma péssima capacidade de julgamento de caráter da anfitriã. Mas tudo bem, uma história da Agatha Christie precisa sempre de possíveis culpados, o problema aqui são algumas motivações pouco inspiradas e uma espécie de piloto automático, “você está no navio então é culpado”, mesmo que isso não faça o menor sentido e só esteja lá para dar a Poirot mais uma cena onde ele interroga um personagem e inventa uma razão para essa pessoa ser a assassina.

Esse “jogo” é uma das coisas divertidas das histórias de Christie, mas a repetição no cinema simplesmente cansa. Portanto é fácil ignorar boa parte do filme e ficar esperando apenas a grande cena final onde Poirot (já de saco cheio) junta todo mundo e desvenda o mistério. Quem acordar só nessa hora, tudo bem, vai entender tudo e sair do cinema satisfeito.

Diferentemente ainda do interessante Assassinato no Expresso Oriente, Branagh vai agora para um Nilo meio com cara de digital demais, sem a beleza e o cuidado visual do primeiro. Também não tem um à mão um elenco interessante. Isso,  incluindo o (sempre irritante) Russel Brand escondido por trás de uma barba (mas ainda irritante!), e o ruim Armie Hammer, que deve tirar umas férias do cinema depois de ser acusado de canibalismo e violência sexual. Falando em polêmica, além da presença de Gadot, recentemente metida em algumas declarações “anti Palestina”, Morte no Nilo ainda tem a presença da “Rainha dos Anti-Vacina”, Letitia Wright.

Não anotei sobre isso durante o filme, mas fiquei pensando no quanto é preciso ter uma direção de elenco esforçada para colocar tanta gente ruim dentro de um mesmo filme. Principalmente dentro de um filme que não chega nem perto dos erros dos três, mas também é ruim e que chega no final te dando a impressão que a única coisa no filme que você “ganhou”, foi aquela história sobre o bigode do Poirot… que você também não queria saber a respeito. Portanto, melhor mesmo esquecer tudo e ir ler algum outro livro da Agatha Christie.


“Death on the Nile” (UK, 2022), escrito por Michael Green, a partir do livro de Agatha Christie; dirigido por Kenneth Branagh; com Kenneth Branagh, Lettitia Wright, Sophie Okonedo, Emma Mackey, Armie Hammer, Gal Gadot, Tom Batmeman, Annette Bening, Roise Leslie, Jennifer Saunders, Dawn Frence, Russel Brand e Ali Fazal.


Trailer do Filme – Morte no Nilo

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