Não Me Diga Adeus | Crítica do Filme | CinemAqui

Não Me Diga Adeus | A falta de pretensões é sua maior virtude

Eu ouvi road movie? Repetitivo, mas mal não há. Ainda mais com a trilha sonora de Não Me Diga Adeus e a música de Jessica Rose Weiss, ambos embalando estilos enquanto pai e filha viajam pelos estados americanos de ponta a ponta e constroem os bons momentos que toda família merece ter em suas memórias.

Há uma alma sendo trabalhada aqui. Ela se forma pela presença de tela do ator John Cho, que não precisa se esforçar para se tornar o pai solteiro rígido pelo passado e pragmático pelas circunstâncias. Já a atriz Mia Isaac, mais jovem, esbanja energia sendo uma criatura que todo pai gostaria de ter, mesmo que ele não perceba porque gerações não se conversam: responsável apesar dos hormônios, curiosa apesar (ou por causa) de ser superprotegida pelo pai.

O roteiro de Vera Herbert (da série This is Us) vai pelo caminho fácil do choque inevitável de gerações que se encaixa perfeitamente enquanto o pai descobre que tem só mais um ano de vida e resolve apresentar a filha para a mãe relapsa… ops, traumatizada. O plano do pai não é dos melhores e envolve um reencontro de formandos desnecessário, mas sem isso o filme não existiria, então há de se perdoar os clichês pelos bons momentos que estes proporcionam ao filme.

A história é fácil de seguir, mas nada se compara à direção de Hannah Marks (ela atua como a irmã de Elijah Wood na série Dirk Gently’s), que combina os diálogos com os melhores ângulos de seus heróis. É no por do sol constante ou nas luzes do horizonte que revela uma direção segura de si ao mesmo tempo ciente de estar preparando conteúdo para TV e, ainda assim, cinematográfico em seu charme.

Este é um filme com dois protagonistas. Eles surgem juntos logo no começo na piada menos eficiente do long. Ou pelo menos um protagonista e uma narradora, mas a narrativa não é confusa; apenas diferente. Você verá nos minutos finais (como anunciado pela narradora). Engraçado. Filmes como esse parecem ter nascido de algum site de escritores independentes, muito pelo frescor de ingenuidade e de novas possibilidades em contar velhas histórias com ganchos inesperados. Não chega a ser uma surpresa orgânica, nem desejável, mas somos avisados de antemão que haverá reviravoltas amargas no final.

Eu gostei de assistir a Não Me Diga Adeus. Sua falta de pretensão é sua maior virtude. Faz com que fiquemos mais confortáveis na poltrona, apenas curtindo o momento. E que melhor clima para assistir um road movie que é sobre se sentir bem consigo mesmo. A vida já é bruta demais para conflitos desnecessários e brigas eternas. A vida é muito curta e sem sentido para ficarmos parados pensando no que poderia ser, em vez de simplesmente fazermos ser.

Estou soando um pouco brega? Me desculpe, me contagiei pelo espírito deste belo filme e seu irresistível charme de quem é cinéfilo inveterado.


“Don’t Make Me Go” (EUA, 2022), escrito por Vera Herbert, dirigido por Hannah Marks, com John Cho, Mia Isaac e Kaya Scodelario.


Trailer do Filme – Não Me Diga Adeus

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