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O Massacre da Serra Elétrica: O Retorno de Leatherface | Crítica do Filme

O Massacre da Serra Elétrica: O Retorno de Leatherface | Só mais uma continuação esquecível

Depois de tantas bobagens, erros e uma vontade enorme de esquecer o que foi visto em alguns momentos, ninguém mais precisava de um outro O Massacre da Serra Elétrica… até que a Netflix anunciou o novo filme e todo fã de terror se empolgou. Mas isso era um engano. Mais um.

O filme primeiro foi deixado pelos diretores originais, Ryan e Andy Tohill, e herdado por David Blue Garcia. Na sequência das refilmagens, ao invés do filme ir para os cinemas em 2021, acabou aparecendo no catálogo da Netflix. E se isso tudo pode não significar nada, também pode significar muita coisa, já que o filme realmente exala um ar de desleixo. Não falta de cuidado, mas mais algo como um: “Por que estamos fazendo isso?”

Realmente é difícil responder essa pergunta. O filme não é um remake do original (e clássico) de 1974, não entende nem o seu legado deixado para as gerações de filmes posteriores. Quer realmente fazer algo novo, mas um novo que não sabem muito bem para onde ir. De cara, foge da ideia de jovens perdidos no meio de uma viagem que acabam dando de cara com uma estranha família de canibais e um dos irmãos com sérios problemas comportamentais e uma motosserra. A ideia agora é a violência da gentrificação… e talvez ela seja pior do que qualquer assassino usando a pele de alguma de suas vítimas.

Os heróis do novo filme são uma dupla de cozinheiros/celebridades que resolvem entrar em um projeto de comprar a cidade de Marlow e transformá-la em um oásis de carros com pilotos automáticos, lives no Instagram, casacos enrolados no pescoço e NFTs (esses últimos não estão presentes no filme, mas tenho certeza que os personagens adoram!). Resumindo, uma espécie de inferno do século 21.

Em meio a um monte de casas abandonadas e um mecânico (como um mecânico sobrevive em uma cidade onde ninguém mais mora é a questão central do filme!), a dupla de celebridades acaba “errando” e tentando mandar embora de sua casa uma velha orgulhosa de sua bandeira confederada. Infelizmente para eles e para o filme (que continua), ela acaba morrendo pouco antes do espectador descobrir que ela era uma espécie de mãe do próprio Leatherface, que estava esse tempo todo quietinho em seu quarto, mas que agora sai por ai para matar todo mundo.

O Massacre da Serra Elétrica : O Retorno de Leatherface | Só mais uma continuação esquecível

Ainda dentro do esforço do roteiro de Chris Thomas Devlin de levantar as bandeiras erradas, o filme acompanha a irmã da celebridade, Lila (Elsie Fisher), sobrevivente de um massacre em uma escola, aparente militante contra o uso de armas, mas que se encanta pelo texano com uma arma na cintura e uma AR 15 no balcão de sua mecânica (Moe Dunford). Sem muita clareza, talvez a menina até chegue à conclusão de que se ela estivesse armada seu trauma não tivesse ocorrido do mesmo jeito, mas ela é tão destrambelhada coma arma em mãos que é fácil enxergar o quanto elas não deveriam nunca estar na mão de pessoas não treinadas.

Talvez por algum tipo de pressão ou bom senso, o filme aos poucos vai fazendo umas correções durante o caminho para deixar claro que as coisas não são simples como parecem, a não ser que você tenha uma motosserra na mão e um monte de raiva de todo mundo que está invadindo sua cidade. Mas com certeza é difícil de entender onde o pessoal por trás de O Massacre da Serra Elétrica quer chegar. Até porque, não chegam em lugar nenhum.

É lógico, tem o gore e o diretor David Blue Garcia entrega um filme que sabe como exterminar jovens, caipiras e hipsters com muito sangue, ossos expostos e a impressão de que eles não durariam nem um segundo frente a frente com um assassino maluco canibal e com complexo de Édipo. Em 1974 Leatherface matava hippies, a linha moral do personagem não muda muito, mas com certeza sua ferocidade e violência foram atualizadas.

Portanto, sobra criatividade nas mortes e “final girls” gritando enquanto o vilão caminha pela cidade balançando sua motosserra. Mas como a própria Sally Hardesty, sobrevivente do primeiro filme aponta, “é preciso seguir em frente e enfrentar”, mesmo que ela só esteja no filme porque o novo Halloween trouxe a Laurie Strode de volta. Portanto, às vezes, “seguir em frente” é o mesmo que dar uma copiadinha sem medo de parecer falta de criatividade.

Mas onde devia copiar, não copia. Esse novo Massacre da Serra Elétrica parece não conseguir entender a tensão e o clima do original (o remake de  2003 consegue com maestria). Depois de décadas de filmes que usar a ideia original para caminhar no gênero (e estabelece-lo) o novo filme é apenas uma cópia sem personalidade e que poderia ser estrelada por absolutamente qualquer assassino brutamontes genérico de slasher. Daqueles que não morrem, e não precisam, já que, de vez em quando, sempre aparece alguém para tentar destruir seus legados com mais um filme ruim como esse O Massacre da Serra Elétrica: O Retorno de Leatherface.


“The Texas Chainsaw Massacre” (EUA, 2022); escrito por Chris Thomas Devlin, à partir de uma história de Fede Alvarez e Rodo Sayagues; dirigido por David Blue Garcia; com Sarah Yarkin, Elsie Fisher, Mark Burnham, Jacob Latimore, Moe Dunford, Olwen Foueré, Jessica Allain e Nell Hudson


Trailer do Filme – O Massacre da Serra Elétrica

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