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Red: Crescer é uma Fera | Crítica do Filme | CinemAqui

Red: Crescer é uma Fera | Pixar mais uma vez faz crescer ser emocionante

Red: Crescer é uma Fera é um filme de sentimentos universais, simples assim, até porque, muito provavelmente todos irão passar, ou já passaram, por esse período de descobertas e incertezas chamado adolescência. Quem não acha isso universal, com certeza o problema não é o filme.

Pensando justamente nisso, a Pixar vem universalizando seus esforços, seus últimos filmes notadamente buscam essa representatividade e Luca e Soul não deixam qualquer sutileza nisso.  Junte a isso a Disney com Raya e o Último Dragão e Encanto e o resultado é, talvez, um retrato da busca de um novo caminho. Talvez o universal não seja mais aquele que o pessoal está acostumado.

Red é um filme sobre uma menina de 12 anos vinda de uma família chinesa tradicional que vive no Canadá. Meilin é a típica garota meio esquisitona, mas que não tem medo de ser quem ela é e vive essa pseudo independência com suas amigas excêntricas e completamente divertidas. Mas Meilin deixa parte de sua “independência” separada para ajudar a mãe na conservação e dia a dia do templo chinês de sua família.

Meilin vive essa vida dupla sem muitos problemas, até que descobre que é a mais nova mulher da linhagem de sua família a ter que lidar com uma maldição: a transformação em uma enorme panda vermelho. O único jeito de controlar o seu “panda interior” é não se permitir ter emoções muito fortes, pelo menos até a próxima lua vermelha, onde poderá passar por um ritual e voltar ao normal.

Mas Red quer mesmo é discutir se esse “normal” existe. Spoiler da vida: Não existe.

É óbvio também que Red é um filme sobre mulheres e quer se aproximar dessa fatia de espectadores. Tanto por Meilin e suas amigas, quanto pela mãe de Meilin, quanto até de sua avó e tias. Portanto, o foco dos problemas, discussões, pormenores e sentimentos, está sempre ligado à feminilidade. Mas não existe nada no filme que não consiga ser entendido e sentido por qualquer pessoa de qualquer gênero. As situações podem ser pessoais, mas a construção desses sentimentos e os sentimentos em si, estão em todos.

Red faz aquilo que a Pixar mais se especializou, a capacidade de pegar assuntos específicos e construir sentimentos universais. O roteito de Julia Cho, Sarah Streicher e da diretora Domee Shi é construído com essa única vontade de conversar com suas espectadoras sobre algumas questões só delas, mas de um jeito didático e sensível o suficiente para emocionar qualquer um que apertar o play no Disney+.

Nenhum espectador precisou ser um monstro para entender o que Sully e Mike estavam sentindo, muito menos precisou ser uma princesa viking para sentir Valente. A lista de exemplos não acaba e não caberia nessas linhas. Por isso, Red não tem gênero, mas sim emoções, e elas estão expostas para você senti-las.

O filme de Domee Shi, que ganhou o Oscar pelo incrível curta Bao, acompanha Meilin, justamente, nesse caminho onde ela precisa entender o peso de ter que cumprir as expectativas dos pais e da família enquanto a sua própria vida lhe diz que ela pode ser quem ela quiser. Red então é cheio de metáforas e analogias sobre as questões envolvendo a aprovação dos pais, a puberdade (inchada, peluda e vermelha) e essa necessidade de estar sempre no controle, sem emoções ou vontades que não sejam àquelas que passam pelo crivo de suas tradições.

Assim como em Soul ou Divertida Mente, Red esconde sua verdadeira história por trás das cenas. Tudo que está na tela tem algo por trás, portanto, se deixe levar pelos significados e emoções, o melhor do novo filme da Pixar está justamente nesse lugar.

E tudo que está na tela está mais uma vez incrível. Portanto, é perder tempo elogiar a primazia técnica da Pixar mais uma vez. O estúdio parece simplesmente não errar, e quanto mais surge à vontade com o assunto, como em Soul, mais têm a capacidade de contar histórias completas com pequenos detalhes visuais. As amigas de Meilin são tão cheias de personalidade que é fácil se perder nelas e em todo visual enquanto o filme passa por elas.

Não só elas, a própria Meilin é um poço de mudanças, tanto de personalidade, quanto de corpo, e tudo é extremamente bem construído pelo visual da Pixar. Não existe nada na tela de Red que não esteja à disposição da sua história. Mais ainda, não existe nada na tela de Red que não esteja à disposição das emoções do filme.

Red é claro com seu público. Quer que ele sinta tudo aquilo, porque, muito provavelmente, já sentiu. Portanto é fácil resgatar essa emoção e deixar ela te carregar por mais essa experiência incrível que é Red: Crescer é Uma Fera. Porque crescer é realmente difícil, ainda mais com todas transformações e vontades. Perder todos esses significados em um único filme é um desperdício, mas todo mundo sabe que ainda existe gente que prefere fugir desses sentimentos universais. Talvez Red não seja mesmo para essas pessoas. Azar delas.


“Turning Red” (EUA, 2022); escrito por Domee Shi, Julia Cho, Sarah Streicher; dirigido por Domee Shi; no original com vozes de Rosalie Chiang, Sandra Oh, Ava Morse, Hyein Park, Maitreyi Ramakrishnan, Orion Lee, Wai Ching Ho e Tristan Allerick Chen.


Trailer do Filme – Red: Crescer é uma Fera

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