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Rua Mercantil Nº3 | Uma nova oportunidade de conhecer um clássico do cinema

O que se ganha em ver um filme tão velho quanto Rua Mercantil Nº3 hoje em dia? Será que o cinema tem evoluído tanto que essas velharias sem som deixam de fazer sentido? Este texto tenta dar algumas respostas iniciais para essa questão cinéfila.

Em primeiro lugar sugiro um exercício análogo, já que estamos pensando em obras de arte. Responda a seguinte pergunta: o que se ganha em analisar ou admirar obras como Mona Lisa de séculos atrás se as técnicas de desenho evoluíram absurdamente nas últimas décadas, sobretudo as digitais? Com certeza alguém já deve ter feito trabalhos muito superiores usando computadores e ferramentas como Photoshop.

Não estou com isso sugerindo que este filme soviético é tão relevante quanto a obra enigmática de Leonardo da Vinci, e tampouco estou sugerindo que o Museu do Louvre está ocupando espaço à toa exibindo uma pintura renascentista que milhares de pessoas vão olhar de várias partes do mundo.

A proposta é apenas refletir sobre nossas prioridades artísticas quando o assunto é audiovisual, que tende a caminhar passo a passo com tecnologia. Até porque ao dar uma chance para Rua Mercantil Nº3 você verá que sua história não tem nada de velha ou ingênua. Ela observa Moscou como uma metrópole que não para, dinâmica e em constante mudança. A Revolução já passou e todos os dias pessoas chegam à capital russa em busca de emprego, mas nem todas possuem permissão para morar. Aí entra a solidariedade dos companheiros de guerra, como esses dois, onde o pequeno espaço onde compartilham moradia gera um triângulo amoroso inesperado e excitante.

Sim, há traição e relacionamentos cruzados em um filme P&B e mudo, e a única diferença dos filmes de hoje é a resolução na tela. Por aqui, a exibição do Festival Soviético é de 8mm.

E este não é um filme parado. Há poucos diálogos e muita reflexão em cima dos acontecimentos entre essa esposa, seu marido e seu amigo. Somos levados pelos acontecimentos a refletir sobre como somos preconceituosos. Não a respeito do tema, mas em pensar que filmes velhos possuem apenas temas ingênuos e históricos. Este não tem relação nenhuma com o regime Soviético. Exceto, talvez, que ele joga na tela montagens sobre seres humanos e máquinas tendo o mesmo papel no serviço e uma crítica bem aberta sobre a convenção do casamento burguês.

Diferente do esperado, Rua Mercantil Nº3 acaba se revelando um trabalho até que divertido, dinâmico e que pode ser analisado sob a prisma dos tempos atuais. Uma revisita é válida, e agora está disponível.


“Tretya Meshchanskaya” (USSR, 1927), escrito por Viktor Shklovskiy; dirigido por Abram Room; com Vladimir Fogel, Nikolay Batalov e Lyudmila Semyonova.


 

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