Thor: Amor e Trovão | Crítica do Filme | CinemAqui

Thor: Amor e Trovão | Humor e emoções, ambos à flor da pele

É um desperdício procurar ou cobrar a perfeição de Thor: Amor e Trovão. E quem não for capaz de sentar na frente do filme e apenas curtir essa história emocional, sensível, divertida e colorida (até quando não tem cor!), azar.

E mais ainda do que tudo isso, o segundo filme do asgardiano dirigido por Taika Waititi não se leva a sério na maior parte do tempo. Portanto, mais um “azar” para quem entra no cinema procurando um filme de super-heróis que se leva a sério demais. É essa leveza que permite que, diametralmente, Amor e Trovão seja um dos filmes do MCU com sentimentos mais profundos sobre problemas reais e complexos.

Tudo bem, colocar tudo isso em um mesmo filme parece meio complicado, mas depois de Jojo Rabbit, Waititi não precisa provar que consegue fazer isso de modo tão competente quanto faz agora. Isso também significa que esse quarto filme do Thor não é só mais um capítulo do MCU. É muito mais do que isso.

Waititi escreve o roteiro com Jennifer Kaytin Robinson (procurem por ela em Alguém Especial e Unpregnant nos seus streamings favoritos!) e espreme três histórias dentro de um mesmo filme. À primeira vista tudo parece que vai dispersar, mas tudo culmina de um jeito climático, sensível e que mostra o quanto todas intenções da dupla estão no lugar certo, assim como o coração do filme.

O primeiro lado que você vai acompanhar é o de Gorr (Christian Bale), um habitante de um planeta desértico que viu sua fé em um Deus lhe levar até a desgraça total, com a morte de sua filha. O encontro com a própria divindade, momentos depois, o coloca em uma missão de vingança que passa por exterminar todos Deuses do universo com uma espada mitológica que, justamente, mata Deuses.

No outro lado dessa mesma moeda, a antiga namorada de Thor, Jane Foster (Natalie Portman), também está lidando com a morte, na verdade com um câncer em estágio 4. Até que sente o chamado do, agora em pedaços, Mjolnir, já no meio da Nova Asgard.

Por fim, Thor (Chris Hemsworth) espécie de alívio cômico do próprio filme (e isso é um elgogio!), está mais do que nunca confortável no papel de Deus imbatível e irresponsável enquanto tenta ajudar um povo a se livras de seus inimigos. Ele e os Guardiões da Galáxia… na verdade só ele mesmo. É nesse mesmo lugar que ele descobre que Gorr está em uma trilha de vingança contra os Deuses e a Nova Asgard pode ser o seu próximo alvo.

Thor: Amor e Trovão | Humor e emoções, ambos à flor da pele

Waititi e Robinson sabem que estão com um personagem em mãos que precisa entender seu lugar no universo e o quanto isso pode ser pequeno, mesmo ele sendo um Deus. Em meio a seu grande amor e um perigo direto contra os asgardianos (na verdade as crianças asgardianas sequestradas por Gorr) Thor precisa lidar com a ideia de não ser capaz de resolver todos seus problemas. Waititi esconde melhor essa melancolia de Thor do que os Irmãos Russo nos dois Vingadores, até porque lida com muito mais habilidade a capacidade do personagem de não se levar a sério. Mas é escondido nesse humor que o filme brilha.

Antes de qualquer coisa é preciso deixar claro que, ainda mais que Ragnarok, Amor e Trovão tem a intenção de ser engraçado. E ele é. A personalidade de Thor continua sendo um poço de ótimas piadas. A Valquíria de Tessa Thompson é ainda mais marrenta, enquanto o Korg com a voz do própria Waititi é ainda mais aleatório e maluco. Mas talvez o destaque do filme nessa categoria seja o Zeus de Russel Crowe, que carrega o Deus grego com um sotaque grego espalhafatoso e incrível. Mas nenhum desses personagens está lá só para arrancar alguns risos.

O Zeus de Crowe aproxima todos esses Deuses de um lugar falho da humanidade, assim como dá a Thor a responsabilidade de ir além da imagem que cria dele e de seus ídolos. Parece pouco, mas em se tratando de um assunto que pode ir bem além das mitologias, acaba sendo mais uma lição importante que Waititi tenta colocar na tela.

O diretor ainda constrói um visual impressionantemente grande, colorido e que brinca com todas referências e possibilidades, tanto do personagem, quanto dos Deuses e personagens envolvidos. As cenas de luta são violentas, selvagens e cheias de momentos épicos e muito sangue dourado sendo derramado. Gorr é mau, muito mau, assustando criancinhas e até tirando as cores do filme, mas é um personagem complexo e completo.

Bale não só dá conta do personagem, como comanda o filme e eleva o filme (junto com Crowe) para um lugar no patamar de cima em termos de elenco. Será difícil o MCU bater essas duas atuações em um outro filme no horizonte que se forma. E grande parte da força de Bale está justamente na complexidade do personagem e na sua motivação, principalmente no caminho que ela o coloca. O peso disso ainda carrega o filme para um final que demonstra o quanto um filme de super-heróis não precisa ser sobre atos heroicos, mas sim sobre sacrifícios.

Amor e Trovão é sobre sacrifícios. Sobre entender o quanto é importante que os pedaços desses personagens fiquem para trás para serem montados e remontados. O Thor de Amor e Trovão não é apenas aquele mesmo personagem que enfrentou Thanos ou presenciou o Ragnarok, mas sim é alguém que sofreu tudo isso e continua sofrendo com as perdas e sacrifícios que o rodeiam. Waititi entende isso, sabe o quanto isso forma o personagem e tem certeza que o melhor jeito de passar esse recado, enquanto deixa uma mensagem de esperança e amor no final, é não permitindo que seu filme se leve a sério.

O trágico de Thor: Amor e Trovão não está no filme, mas fora dele, em quem não entender as intenções do filme e perder a oportunidade de embarcar nessa história emocionante, sensível e bonita sobre sacrifícios, trovões, raios, amor e esperança, e perder isso só porque não aguenta dar algumas risadas enquanto sente tudo isso.


“Thor: Love and Tunder” (EUA, 2022); escrito por Taika Waititi e Jennifer Kaytin Robinson; dirigido por Taika Waititi; com Chris Hemsworth, Natalie Portman, Christian Bale, Tessa Thompson, Taika Waititi (voz) e Russel Crowe


Trailer do Filme – Thor: Amor e Trovão

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