Toscana

Toscana | Falta fome

Se você tem pouco história para contar, mas não quer perder o espectador, o caminho mais rápido é com a beleza. Toscana não é um grande filme, mas é bonito demais!

Nele, um chef de cozinha dinamarquês, respeitado, famoso e prestes a abrir um novo restaurante para servir aqueles pratos lindos, mas com pouco comida, descobre que seu pai faleceu. Mas não da Dinamarca, já que o relacionamento dos dois era quase nulo desde que o pai decidiu ir morar na Itália, onde comandava um restaurante muito menos chique em um castelo meio vagabundo.

A morte do pai, leva então Theo (Anders Matthesen) até a Toscana para tentar vender a propriedade e voltar para casa com o dinheiro. Mas lá encontra Sophia (Cristina Dell´Anna), espécie de pupila do pai e que viveu a vida inteira naquele lugar.

O roteiro escrito pelo próprio diretor Mehdi Avaz não vai surpreender ninguém. Aos poucos os dois começam a enxergar uma ligação, ele mente para ela em algum momento e no final tudo parece que vai dar errado antes dele voltar atrás em busca do “felizes para sempre”. Tudo bem o final de Toscana não está tão dentro desse “modo comédia romântica”, mas os espectadores vão poder adivinhar 80% de tudo que vai acontecer no filme. O que seria um problema se não fosse pela beleza.

Mesmo sem ter uma “mão boa” para o roteiro, Avaz aproveita extremamente bem, tanto o visual da região da Itália com suas montanhas e casinhas bucólicas, quanto a comida. Toscana tem momentos de puro “food porn” e isso é um dos acertos do filme. Talvez até se focasse mais nisso alcançasse um lugar ainda mais alto.

Toscana | Falta fome

Mas não o faz, Toscana se deixa levar pela obviedade e vai contando a mesma história de sempre enquanto diminui drasticamente o tempo de tela da comida. Pior ainda, perde algumas oportunidades incríveis de dar fome nos espectadores. Um pão no azeite é lindo, mas esse arco não dá em nada, o tal azeite nunca mais é visto no filme. Uma linda parede de queijos é sucedida da abertura de um deles com alto grau de sadismo para quem está do lado de cá da tela, mas o queijo também não é lembrado mais.

Nem a ideia do restaurante do finado pai usar os alimentos da região é muito explorada, tudo fica na superfície, como um daqueles galinhos e florzinhas que ficam em cima dos pratos chiques. Quando você tira todos eles e taca um monte de queijo ralado, o sabor é realmente outro.

A analogia do parágrafo acima está no próprio filme, mas o filme não entende muito ela. Afinal, Toscana devia ser um filme sobre comida e sobre os lindos horizontes italianos, não sobre esse casal. Mas é um prato com mais galinhos e “verdinhos” do que com risoto e o que sobra no final das contas ainda é um arroz delicioso, mas podia ter vindo mais.

Tudo bem, os pratos chiques tem pouca comida, mas quando ela é boa, se tivesse vindo mais no prato, com certeza teria deixado muito mais gente satisfeita.


“Toscana” (Din, 2022); escrito por Mehdi Avaz e Nicolaj Scherfig; dirigido por Mehdi Avaz; com Cristiana Dell´Anna, Anders Matthensen, Lærke Winther e Andrea Bosca.


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1 Comentário. Deixe novo

  • Guilherme
    19/06/2022 21:46

    Bom filme, “tipo sessão da tarde” mais gostoso de assistir

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