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Um Jantar Entre Espiões | Crítica do Filme | CinemAqui

Um Jantar Entre Espiões | Todo mundo gosta de um filme de espiões bonitões

Todo mundo gosta de um bom filme sobre espiões bonitões. Seja quem prefira Ian Flemming e toda ação, seja quem vai mais no estilo John Le Carre e toda desglamourização da profissão. O que importa mesmo é estar vendo por trás das intrigas palacianas que movem o mundo. Um Jantar Entre Espiões está mais perto da segunda opção dentro do gênero e vai acertar em cheio quem procura algo minimamente diferente.

O roteiro fica na mão do próprio escritor do livro original, Olen Seinhauer, que tem em seu currículo um punhado de outros livros sobre espiões. Portanto, o que não falta é experiência. Nesse caso, seu Um Jantar Entre Espiões é seu quarto livro sobre o assunto e busca um lugar único dentro do gênero.

O filme é quase anticlimático, não está em busca da ação, mas sim da construção de um quebra-cabeça onde nada parece ser verdade. A trama começa com o sequestro de um avião que acaba em uma suposta tragédia e com um culpa que acaba ficando nas costas de um escritório da CIA em Viena. O problema surge oito anos depois, quando a própria Agência começa a desconfiar da traição de um dos agentes durante a crise.

Para investigar esse provável vazamento, Henry Pelham (Chris Pine), o agente de campo na época, parte em uma investigação que confrontará todos envolvidos, incluindo seu antigo amor, Celia Harrison (Thandiwe Newton), e o mentor dela, Bill Compton (Jonathan Pryce).

Um Jantar Entre Espiões então, sabiamente, estrutura toda a história em três momentos distintos. Um deles, no passado, onde o espectador vai descobrir os segredos que ficaram para trás e até o que realmente aconteceu com o voo 127. Em um segundo e terceiro momentos, Henry interroga seus dois ex-parceiros em tempos diferentes. “Sabiamente”, pois as surpresas nos três lugares podem ser exploradas paralelamente e o pouco de clímax que existe, é tremendamente valorizado e irá surpreender e divertir muita gente.

A direção de Janus Metz é precisa e segura, mas grande parte de seu trabalho é valorizado pela presença da experiente diretora de fotografia Charlotte Bruus Christensen, que na última década assinou coisas como A Caça, Um Lugar Silencioso e Um Limite Entre Nós. Em todos os casos, e também em Um Jantar Entre Espiões, o trabalho dela é sempre marcado por um visual limpo e que não permite nunca que o espectador se perca em cena. Nesse caso, Christensen e Metz valorizam alguns detalhes estéticos dos três momentos para deixar claro cada linha de tempo.

Um Jantar Entre Espiões | Todo mundo gosta de um filme de espiões bonitões

Enquanto Londres é fria e azul, sem emoção e com Henry no ataque diante de Bill, o encontro dele com Celia na Califórnia é quente e ainda reflete sua paixão por ela. Como se ele não conseguisse se impor diante disso, mesmo liderando o interrogatório. Essa consciência estética dá ao filme um charme fino e uma cara de grande produção.

E mesmo pequeno e centrado nessas dinâmicas curtas entre os personagens, Um Jantar Entre Espiões é um filme que pode se considerar grande. Não só pelo elenco cheio de gente conhecida, mas também por ser um daqueles filmes sobre espiões que o cinema adora e os fãs ficam apreensivos. Principalmente pelo que promete.

Em pouco tempo de história a impressão é de uma grande surpresa que poderia salvar qualquer roteiro menos intenso, realmente é isso que acontece e ninguém irá ficar decepcionado, mas em nenhum momento do resto da história a trama se permite ser refém só disso. Durante todo tempo há uma tensão crescente na história e a cada verdade que surge nela, mais ela fica interessante e intelectualmente desafiadora.

A trama realmente respeita a inteligência do espectador e não precisa ficar explicando nada repetidas vezes, um cacoete comum ao gênero. Pelo contrário, tudo acontece no ritmo necessário para valorizar as decisões do roteiro e a vontade de entregar ao espectador mais do que só um filme de espiões comuns.

Já na parte dos “espiões bonitões”, Chris Pine e Thandiwe Newton seguram os personagens com unhas e dentes em todas suas nuances. Ambos apostam nas sutilezas dos ex-amantes e atuais adversários em uma disputa ao redor de uma mesa de restaurante que deverá ditar os seus futuros. A força de ambos nunca parece estar no físico, mas sim no psicológico e na frieza dos agentes da CIA que precisaram lidar com suas paixões e os traumas de uma ação que resultou em uma tragédia.

Um Jantar Entre Espiões é uma aposta da Amazon de “filme grande de espiões” e o resultado é exatamente esse, mesmo não apostando na ação e sim em um confronto psicológico interessante, com espiões bonitões e algumas boas surpresas no final.


“All The Old Knives” (EUA, 2022); escrito por Olen Steinhauer, a partir do livro de Olen Steinhauer; dirigido por Janus Metz; com Chris Pine, Thandiwe Newton, Laurence Fishburn, Jonathan Pryce, Ahd, Jonjo O´Neill e David Dawson.


Trailer do Filme – Um Jantar Entre Espiões

 

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