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A Princesa da Yakuza | Crítica do Filme | CinemAqui

A Princesa da Yakuza | Adaptação de HQ nacional cumpre o que promete

Talvez o ponto mais importante de A Princesa da Yakuza seja ver o mercado brasileiro de cinema (respirando com a ajuda de aparelhos) buscando inspiração nas HQs de autores brasileiros (que respira um pouquinho melhor). Uma combinação que tem absolutamente tudo para gerar um monte de frutos deliciosos.

É lógico que hoje isso já não é uma novidade, nos últimos anos o que não faltaram são adaptações de gibis indo parar nas telas de filmes nacionais. De Turma da Mônica até Tungstênio, é só procurar que você acha (e não deixe de ver nenhum!).

A Princesa da Yakuza, vem do quadrinho Shirô, de Danilo Beyruth e é dirigido por Vicente Amorim. A dupla já tinha se cruzado no divertido Motorrad, também vindo de um gibi escrito pelo primeiro e dirigido pelo segundo. Mas esse novo filme, muito provavelmente, atinja um público muito maior. Principalmente porque estreou meio escondido nos cinemas durante a epidemia de Covid a agora chega na Netflix, que parece ter “comprado a ideia” e está fazendo um grande esforço para que todo mundo veja.

O esforço será bem recompensado, já que a produção deverá agradar a maioria dos espectadores que se interessarem pela sinopse. Nela, a história acompanha três personagens e uma espada. Akemi (Masumi), uma jovem japonesa ainda procurando seu lugar no mundo no meio do bairro da Liberdade, em São Paulo. Um homem misterioso (Jonathan Rhys Meyers) que acorda sem saber de seu passado, apenas com uma katana e um monte de cicatrizes na face. Por fim, Takeshi (Tsuyoshi Ihara), um mafioso da Yakuza que descobre algo que o leva diretamente para o caminho dos outros dois.

O filme promete ação, uma espada cortando muita gente, tiros e uma trama que envolve aquela São Paulo com o lado mais marginal, quente e reluzente de seu bairro japonês e, é claro, a honra e violência da Yakuza. Quem der o play irá, com certeza, ganhar tudo isso.

A direção de Amorim é cheia de estilo (como em Motorrad) e explora bem uma estética e uma ação que vem dos quadrinhos. Tudo é meio rebuscado, exagerado e não se preocupa em não se levar muito à sério. Não como piada, mas sim por encarnar um filme de gênero. A câmera perto dos atores coloca eles em quadrinhos quase saídos das páginas, a violência explícita emula o cinema de máfia oriental e o heroísmo e honra são a cara dos filmes de samurai.

A Princesa da Yakuza | Adaptação de HQ nacional cumpre o que promete

Do mesmo jeito que o visual funciona, muito provavelmente, a trama picotada e os diálogos pouco inspirados podem impedir o espectador de ter um divertimento maior.

De um lado, o roteiro escrito por Fernando Toste e Kimi Lee, demora demais para cruzar os caminhos dos personagens e deixa tudo meio entrecortado, indo e vindo demais entre os personagens e interrompendo suas tramas sem muito carinho. É fácil dispersar em um primeiro momento por não conseguir ficar mais tempo com nenhum dos três. Em um segundo momento tudo ainda parece correr demais antes de chegar em um terceiro momento com uma junção de diálogos expositivos que se misturam com falas que não falam muita coisa enquanto “processam segredos”.

Isso ainda faz com que os personagens fiquem perdidos no meio do caminho entre um estereótipo divertido, diálogos ruins e personalidades vazias. O que deixa um pouco tudo meio arrastado e sem objetivo quando está fora das cenas de ação.

O resultado direto disso é um filme que talvez acabe sendo um pouquinho mais longo do que poderia ser. É lógico que isso atrapalha o resultado final, já que muita gente vai apontar o filme como “meio chatinho”, mas com certeza isso será compensando com a ação e a vontade do filme de surpreender e satisfazer os fãs do gênero.

Não faltam braços e pescoços a serem cortados e esguichos de sangue pela tela, afinal, é um filme de máfia japonês que, coincidentemente, está se passando na Liberdade, no meio de São Paulo, mas o cerne da ideia está lá, cortante, violento, divertido e pronto para agradar os fãs. Os escorregões podem até atrapalhar um pouco, mas a vontade de agradar seus espectadores é maior e o filme se mostra mais um bom resultado dessa relação do cinema com os quadrinhos brasileiros.


“A Princesa da Yakuza” (Bra, 2021); escrito por Fernando Toste e Kimi Lee, a partir da história em quadrinhos de Danilo Beyruth; dirigido por Vicente Amorim; com Masumi, Jonathan Rhys Meyers, Tsuyoshi Ihara, Ejiro Ozaki e Toshiji Takeshima.


Trailer do Filme – A Princesa da Yakuza

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