A Queda | Mais um filme do gênero “fiz algo errado e agora estou preso”

Grace Caroline Currey e Virginia Gardner em A Queda (2022)

Depois de Blake Livelly ficar presa em uma pedra com um tubarão rodeando ela, as duas meninas lá embaixo do mar com mais tubarões e até o pessoal pendurado na cadeirinha do teleférico em uma estação de esqui (esse ninguém lembra, mas acreditem, existe!) agora é hora de A Queda, mais um filme do gênero “fiz algo errado e agora estou preso”.

“Presas” na verdade, já que são duas amigas que resolvem subir em uma torre de transmissão de TV com 600 metros de altura, toda podre, não mais usada e longe absolutamente de qualquer ser humano do mundo. É lógico que a escada se solta e elas ficam presas lá em cima.

Na verdade, existe meia hora de filme antes delas chegarem lá, mas não importa, principalmente porque tudo que se passou é novamente discutido enquanto as duas estão presas lá em cima por um monte de diálogos mais que suficientes. Mas o roteiro de Jonathan Frank com o diretor Scott Mann resolve contar a mesma história duas vezes, já que precisam inflar a boa ideia, mas que daria no máximo um curta (talvez um obscuro média-metragem).

Grace Caroline Currey em A Queda (2022)

Por outro lado, Scott Mann vem de uma carreira cheia de filmes que ninguém viu, mas que agora deve se transforma no cineasta que será “o daquele filme da torre”. Mas a ideia é boa e ele não deixa de fazer um bom trabalho em momentos suficientes para fazer o filme atingir em cheio uma fatia do público que com certeza irá se divertir. É lógico que erra em deixar o filme se inflar tanto, mas consegue manter um certo suspense nas cenas e vai carregando o espectador com eficiência até o final.

Na parte visual ainda, Mann toma decisões interessantes na hora de colocar sua câmera em volta dessas duas atrizes enquanto elas estão presas em uma pequena plataforma no alto da torre. Não falta criatividade para o diretor manter essa impressão realista das duas lá no topo sempre valorizando a altura e o pequeno espaço que as duas têm. E talvez, se o filme é sobre isso, sobre a sufocante situação das duas, então ele é bem-sucedido.

Infelizmente o filme ainda tem roteiro e ele continua errando antes de acertar. É impressionante ele (o roteiro) achar que criar uma discussão mais profunda sobre as duas e até uma traição não serve para absolutamente nada e deixa a sensação de forçar uma barra que não precisa existir. É lógico também que isso tudo prepara o filme para uma pequena surpresa que move o terceiro ato, mas ainda assim deixa a impressão de que as duas já teriam problemas suficiente lá em cima sem terem como descer.

Grace Caroline Currey e Virginia Gardner em A Queda (2022)

Também é difícil entender o fetiche dos roteiristas desse tipo de filme na hora de arrancar do cérebro de seus personagens absolutamente qualquer sinal de inteligência. É sempre uma sucessão de erros (burrices) que os colocam nesses lugares e uma incapacidade ainda maior de raciocinar durante o tempo que estão em perigo antes de tudo chegar em um extremo biológico de falta de alimento e água, por exemplo. Tanto em A Queda quanto em qualquer outro filme parecido, o espectador se pega tendo certeza de que uma de suas ideias dariam certo e tiraria os personagens do perigo.

Mas também faz parte da diversão dos filmes de terror e suspense acompanhar a burrice do pessoal na tela, quem se incomodar com isso nem chega perto do gênero. E quem se diverte com isso, vai tirar de letra esses defeitos de A Queda para aproveitar os três ou quatro momentos realmente interessantes do filme. Quantidade suficiente para alegrar o espectador.

Sejam tubarões, teleféricos e torres de transmissões abandonadas e enferrujadas… tudo bem, essa terceira opção parece realmente forçada, mas quem gosta, vai ter diversão garantida.

Trailer do Filme – A Queda

Ficha Técnica

Título Original: Fall

Direção: Scott Mann

Roteiro: Scott MannJonathan Frank

Elenco Principal: Grace Caroline CurreyVirginia GardnerMason GoodingJeffrey Dean Morgan

Sinopse: Duas amigas decidem escalar uma torre de transmissão de 600 metros de altura e acabam presas no alto dela e precisam arrumar um jeito de sobreviver.

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